Uma conhecida minha me disse que agora falava espanhol. Legal, é uma língua bem bonita, eu faço um mea culpa e digo que não falo um OI. Depender dessa língua pra almoçar estou morta, faço um regime daqueles. Acontece que meus chefes nasceram na Espanha e uma das minhas companheiras de trabalho fala fluentemente. E eu me sinto uma completa idiota.
Empolgada com a idéia de aprender espanhol e não me sentir tão perdida pedi para a tal amiga que me ensinasse a língua de Cervantes. Descobri que além de ela não falar, ela tinha "aprendido" com um tradutor automático. Preferi continuar me sentindo a mesma idiota bilíngue. Ao menos eu aprendo - na marra, é verdade - com quem realmente sabe.
O tradutor automático é ruim? Não, mas fazer dele seu professor de idiomas é confiar demais. Façamos um teste simples: vou pegar um trecho da música "Preta Pretinha" (Novos Baianos) e jogar em tradutores automáticos. Elas devem sair em inglês, catalão e espanhol. Se vão sair certas, só Deus sabe. Nem Ele, se duvidar...
Frase original
"Eu sou um pássaro que vivo avoando, Vivo avoando sem nunca mais parar."
Em inglês: "I am a bird live avoando avoando, live without ever more stop."
Em catalão: "Jo sóc un ocell viu volant, volant, sense mai deixar de Viu."
Em espanhol: "Soy un pájaro vivir volando, vivir volaba sin cada vez más detener."
Alguém aí sabia que catalão é uma língua oficial da Espanha e que é diferente do Espanhol? Nem eu. Essas pequenas situações fazem uma diferença enorme em um trabalho e isso prejudica muito a tradução. Nada contra as máquinas, contra o tradutor. Eu mesma faço uso deles. O problema é confiar cegamente em um e simplesmente achar que sabe falar espanhol, alemão, italiano ou qualquer outra língua porque usa uma ferramenta dessas.
Vejo a molecada de hoje dizer que não precisamos mais de professores de idiomas por causa do advento de tradutores online. Será?
Ainda sou do tempo do giz e do quadro negro. Mesas de madeira, cartões de ponto e quinquilharias afins que me forjaram no fogo da sabedoria e na força do aprendizado. sou uma tradutora, mas não sou prepotente. Máquinas sabem, mas não pensam. Os seres humanos deveriam pensar...