segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Irmãos de alma

Não canso de dizer que esse ano tem sido muito difícil pra mim. O preço da alma é a fé, o preço do barulho é o silêncio e o preço da ansiedade é a luta. Acontece que ainda tá pra existir desafio que eu não aceite e subir num palco pela segunda vez na minha vida foi um desses desafios.
O maior desafio do ano foi realmente me convencer de que sou capaz de fazer alguma coisa. Não por incapacidade, mas pela insegurança. Acontece que tem tem família tem tudo. E pensa numa família grande, cheia de amores, cheia de esperança. Cheia de caminhos.
Caminhos da Esperança, caminhos da paz, do suor, das lágrimas, da luta. Caminhos da força, caminhos da amizade, da fraternidade.
Amigos, irmãos de alma e pessoas que me sustentam e aos quais eu sustento sempre que precisarem. É o que fazem os amigos. É como se percorrem os caminhos. Acho que esse é o preço da amizade. E eu pago com muito orgulho. CEV 2019 é questão de tempo.

A imagem pode conter: 10 pessoas, incluindo Mi Agra De Maria, pessoas sorrindo, pessoas em pé

sábado, 9 de dezembro de 2017

Irmãos de Sangue

Sou fascinada por inesperados. O jornalismo me permite transbordar a alma em palavras. Alguém perguntou-me como eu faço isso. Não sei, a coisa vem pronta, só tenho o dever de corrigir.
Ganhei irmãos e irmãs. Gente que tem na sacralidade da alma a força da vida, mas também é gente que erra. Gente de raça. O Tempo, senhor da serenidade, não nos permite congelar nos momentos de paz, porque também teríamos que parar no momento da dor.
Esses irmãos me tiraram do silêncio profundo da dor para a paz barulhenta de uma mesa cheia de vozes e alegrias.
Axé e Amém. Que venham mais mesas.

Roda Mundo, Roda Pião

Reconstrução é a palavra que define 2017. Não é fácil dar uma segunda chance a uma alguma coisa que já foi delicada e estressante, mas ter um sorriso acolhedor, uma risada amiga e alguém que te olhe com o filtro da fé e da fraternidade é um bálsamo. Irmãos de sangue, no sangue puro do Cordeiro. Gente que entrou na minha vida metendo o pé na porta. Movimentos da alma sim, mas com a leveza da brisa matinal é com a força de um búfalo. A gratidão? Essa vem na minha lágrima. Bônus do amor recebido.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Tempestades

Gosto dessa gente que chega metendo o pé na porta da nossa vida, mostrando a que veio e se mostrando plena, poderosa e - acima de tudo - amiga. Gente assim me fascina, me encanta e me tira o melhor de mim mesma. Sim, estou falando do CEV de novo, mas e daí? Parte do meu ofício é contar o que o dia-a-dia tem de tão interessante. Esse é um dos bons momentos do jornalismo: enxergar as maravilhas em coisas simples.
A Tatiana e a Nayana são dessas. Chegam poderosas como o furacão, mas têm a fala doce como a brisa. Gosto de gente assim... Sou filha do Trovão e do Vento e me encanto com movimentos intensos, com gente que me tira dos meus mornos.
Elas não admitem menos do que perfeição. É na perfeição que mora o reconhecimento e a certeza do dever cumprido. A tempestade é minha zona de conforto... Como boa filha do Trovão, não tenho medo de barulho, mas de calmaria.
Experimenta dar menos do que o seu máximo pra você ver se a brisa fresca da manhã não vira um furacão poderoso? Agora experimenta pedir socorro em um momento difícil ou de dúvida pra ver se o mesmo furação não ajuda a limpar a bagunça?
O trem da vida tem muitos vagões e como elas são dessas que metem o pé na porta e saem entrando, pularam pra dentro do vagão das minhas eternidades. Quero essa gente na minha vida pra sempre. E mais um pouco, se não for pedir muito.

Um carrossel visceral

Combustível de jornalista é paixão e combustível de artista é desafio. Vivi dias em que a minha paixão e minha arte foram testadas ao limite. E também meus medos. Cicatrizes na alma, marcas da eternidade que me levaram a ser a artista que eu sou hoje, que me moldaram a vida e o caráter.
A minha fé em Deus é inabalável, mas os meus limites não. Quando rompi com a Igreja Católica rompi também com muitos de seus membros. Eu realmente não precisava de ninguém me julgando segundo sua própria fé. Acontece que só sabe pra onde vai aquele que sabe de onde veio, por isso as minhas bases de fé mantiveram-se forte e minhas preferências musicais também.
Eu fiz uma promessa no ano de 1995 e ontem, 22 anos depois consegui cumprí-la: prometi que daria o meu melhor à dona daquela voz que me acompanhou em momentos de dor e solidão e que quando tivesse oportunidade daria minha alma naquilo que me fosse exigido.
Suavidade e firmeza: tá aí duas palavras que cabem perfeitamente na descrição da valente Ziza e do CEV. Essa gente te exige à perfeição, mas te devolve o melhor que existe em você. Se eu pensei em desistir? Várias vezes, mas os meus queridos me mantinha em pé. Tinha prometido dar meu melhor a ela e assim eu o faria. Recebi mais do que as minhas palavras podem expressar. Ganhei amigos, ganhei irmãos: irmãos de fé, irmãos de sangue, no Sangue do Cordeiro. Ontem percebi que mais do que aquela fita, agora eu tenho uma família... A toda família CEV meu melhor axé, meu melhor saravá. Vocês receberão em dobro todo bem que foi desejado.
A você, Ziza, meu mais do que obrigada: minha percussão, minhas mãos e meu serviço.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Cruising

Fiquei em um navio. Um senhor navio. A primeira coisa que eu pensei foi: "então é assim o paraíso? É essa a sensação de vencer na vida?". Não sei responder, mas sei que a sensação de realizar um sonho de vida é uma sensação única.
Estou no céu? Ainda não, faltam algumas pessoas pro lugar ficar completo, mas com certeza a sensação de zerar a vida é indescritível. Intensa como eu sou estou tentando achar palavras. Não consigo. Só sei sentir. Mas eu não estou sozinha nessa. Tenho uma amiga, uma parceira. Alguém doida o bastante pra entrar nessa. Vanessa é dessas amigas que topam suas loucuras sem perguntar muito o que é. Essas são as melhores, essas tem as histórias mais loucas pra contar. Três noites e quatro dias intensos, como só uma amizade pura sabe ser. Vida de patroa, amiga de loucura, mas acima de tudo: parceira pra vida.
Não sei se ela tem dimensão do que me ajudou, do quanto eu estou feliz, mas sei que ela viu meu sorriso aberto, meu olhar brilhante. Criança com seu brinquedo, eu no navio com minha amiga. Se faltou alguma coisa é plenamente perdoável. Se a vida ficar uma linha reta então será a morte, mas isso ninguém quer não é?

Que venham mais navios, mais cruzeiros, mais loucuras. Posso viver assim fácil, porque é na minha loucura que acho minha sanidade.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Travestir-se para vestir-se com definições

Tenho a sensação de que as pessoas gostam de escravizar conceitos e palavras e quando você não concorda pronto: "Reaça", "preconceituoso" e por aí vai. Pensando nisso levei quase um ano pesquisando e pensando em como eu escrever esse texto, bem cima do dia da visibilidade trans. Não, não sou um trans homem mas sim, sou UM travesti (eu sei, terceira guerra mundial está declarada). Antes de me jogarem em um caixão e me trancarem lá para sempre acompanhem a minha linha de raciocínio.
A palavra travesti é francesa e em sua origem define "uma pessoa que veste-se com roupas do sexo oposto". A grosso modo: mulher que se vestem de homem e homem que se veste de mulher, sem entrar no mérito de identidade de gênero ou orientação sexual. Então um homem no carnaval fantasiado de fada é uma travesti ou uma mulher fantasiada de lampião é um travesti? Sim. Isso entendido vamos relacionar travestilidade com afetividade.
Nos anos 50 a revista manchete procurava um termo para definir homossexuais que curtiam o carnaval em guetos e daí surgiu o empréstimo da palavra travesti para definir de uma forma maldosa e pejorativa todos os homossexuais. Não sei a partir de que momento foi, mas os então GLS pegaram para si e acorrentaram a palavra, não permitindo que qualquer pessoa que não fosse um homem "travestido" de mulher fosse designado de travesti e decidiu que todas as mulheres que também se encaixam na definição de travesti eram trans homens.
Como jornalista sou escrava as palavras, não sua capataz nem sua dona, por isso aproprio-me sim da palavra travesti para definir a mim mesma. Radicalismo? Acho que não, já que não me identifico na categoria trans. Sim, eu sei que muitas travestis vão me xingar ou me chamar de desinformada, mas acho que essa é uma reação no mínimo incoerente com um discurso tão liberal que elas pregam. Não sejam radicais por conveniência, apenas aceitem que há a possibilidade de existirem os travestis.
Pronto, podem me crucificar.